11.5.07

Deixe em paz meu coração




Já lhe dei meu corpo, minha alegria

Já estanquei meu sangue quando fervia

Olha a voz que me resta

Olha a veia que salta

Olha a gota que falta pro desfecho da festa

Por favor

Deixe em paz meu coração

Que ele é um pote até aqui de mágoa

E qualquer desatenção, faça não

Pode ser a gota d'água

10.5.07

Viagem ao centro da terra

Placas tectônicas se movem. E o que parecia estabilizado há eras geológicas, treme. Uma rachadura enorme se abriu aqui, na minha vida. E faço muita força (mesmo) para ficar de pé mas reconheço que de vez em quando ajoelho e engatinho.
Não vou cair nesse buraco, não (been there, done that).

E só prá deixar esse post mais light, preciso mesmo comprar uma bota preta com sola de borracha.
Que ontem cheguei em casa com os pés congelados e úmidos.

1.5.07

Cala a boca, Magda

Tem umas coisas que por muito tempo são. Mas como a gente não quer que elas sejam, fingimos não ver, olhamos pro outro lado, enfeitamos com lacinhos, botamos óculos cor-de-rosa.
Mas de vez em quando a gente dá uma olhadinha de soslaio, disfarçada... e a coisa tá lá. Te dando um sorrisinho amarelo e um tchauzinho sem graça. Então a gente engole seco e, muito rápido, olha pro outro lado.
Essa coisa silenciosa, às vezes, resolve começar a emitir ruídos, a féladaputa.

30.4.07

Notícias do front

No momento me recupero de uma viagem à Manaus (sexta, sábado e domingo, chegando em São Paulo e encontrando o frio às seis da manhã de segunda).
Cansada mas feliz com os resultados do trabalho que vai muito bem, obrigada (eu devia mesmo ter cobrado mais caro). Ainda restam quatro meses mas o cara disse que quer ampliar o projeto e estender o tempo da consultoria e disse que num larga mais di nóis, jeinenhum.
Entonces, who knows, tentemos aumentar o preço e oremos.

E aproveito para agradecer o carinho. Vocês podem pensar que é coisa pouca, que umas palavrinhas não mudam nada, que não faz diferença. Mas faz.

25.4.07

Post chato mas necessário

Saiu uma reportagem na Épo*ca dessa semana (Como os Médicos pensam) sobre diagnóstico e as dificuldades dos médicos em relação à isso. Depois do que aconteceu com o meu pai, não posso deixar de falar alguma coisa. Porque se ajudar uma única pessoa, já valeu.

Meu pai morreu de enfarto. Foi um enfarto silencioso (o médico chamou assim). Ele passou uns quatro ou cinco dias se sentindo mal, meio esquisito. Com dor nas costas e um mal estar de estômago. Achou que era uma virose qualquer. Como não passava, no terceiro dia foi ao hospital (em São Paulo). Falou para a médica, inclusive, que achava que estava enfartando. Fez o eletrocardiograma, não deu nada (normalmente não dá nada - só aparece alguma coisa se a pessoa tiver alterações cadíacas naquele exato momento). Saiu do hospital com uma receita de relaxante muscular e remédio para enjôo.

Viemos a saber depois que existe um exame específico, que mede umas tais enzimas e que esse é o único exame que poderia ter detectado o enfarto.
Quando, finalmente, um outro médico, de outro hospital (um reles posto de saúde, sem recurso nenhum, na praia de Boiçucanga), mais atento e cuidadoso desconfiou que talvez ele estivesse enfartando e o mandou para uma UTI, o coração dele já havia perdido sessenta por cento da capacidade e ele não resistiu.

Claro que se ele fosse uma pessoa que fizesse check-ups regulares (esteira e eco), teríamos sabido antes que as coisas não estavam bem. Mas ele não era. Detestava médicos, não gostava de dar trabalho e minimizava o próprio desconforto em qualquer situação. Mas esse tipo de atitude é muito comum, muita gente é assim (eu, incluída).

O que eu estou tentando dizer aqui é que os sintomas desse tipo de enfarto são difusos e difíceis de diagnosticar. Mas existem. Só a própria pessoa pode saber o que ela está sentindo e dor de estômago, dor nas costas, suor excessivo, são alguns dos sintomas. Que passariam batido para a grande maioria das pessoas.

No caso relatado na revista, o paciente era jovem, atleta, não apresentava nenhum dos sintomas clássicos, somente uma dor esquisita que parecia muscular.
Foram feitos todos os exames, inclusive o das enzimas cardíacas. Nada. O enfarto ainda estava no começo e as enzimas ainda não apareciam. Na manhã seguinte, o cara deu entrada no hospital com enfarto agudo do miocárdio. O médico diz se arrepender de não ter segurado o paciente no hospital e refeito os exames algumas horas depois, já que ele liberou o fulano, sem diagnóstico.

Mas vejam, o cara foi para o hospital. Porque, apesar de estar acostumado com dores musculares, aquela dor, para ele, não era normal.
E é isso que interessa. Só a gente mesmo sabe se o que estamos sentindo é normal, para nós. Meu pai sabia o que estava sentindo e disse para a médica que estava estava tendo um enfarto.

Temos que insistir com os médicos. Para que eles façam todos os exames possíveis. Eles não são deuses.

E, claro, fazer check-ups regulares.

Não, eu não estou naquela viagem do que poderíamos ter feito, porque sei que não adianta nada.
Eu estou aqui, escrevendo tudo isso, justamente pelo contrário, pelo que ainda pode ser feito.

23.4.07

É pau, é pedra

"Mãe, no seu IPod, tem uma música mó legal."
"Que música?"
"É de uma dupla, mãe, tem outra música deles lá, Retrato em Branco e Preto."
"Tom e Elis? Águas de Março?"
"É, acho que é isso mesmo, mó da hora essa música, mãe. A moça vai falando umas coisas sem nexo, muito engraçado."
"Filho, essa música é um clássico da música brasileira."
"É? Ahhhh. Eles eram casados?"
"Não, filho. Eles não eram uma dupla. Só cantavam juntos de vez em quando."
"Eles já morreram?"
"Já."
"Os dois?"
"Os dois."
"Que pena, né, mãe? Porque quando eles cantam juntos, fica mó bonito."

19.4.07

Procura-se

Estamos precisando de uma pessoa para ser representante da Babydoll em São Paulo.
Tem que gostar de moda.
Tem que ter carro.
Não pode precisar de dinheiro imediatamente porque, acredito, vai levar um tempinho para formar a carteira de clientes. Mas a comissão é boa e o produto é ótimo.
Conhecem alguém?

15.4.07

Pregnant? No no no no

No Gilmore Girls dessa semana a Lane estava vestindo uma blusa da Za*ra que eu comprei e ainda não usei.
Detalhe: a Lane tá grávida de gêmeos e com uma barriga que transcende qualquer outra barriga grávida fake já exibida em toda a história da televisão mundial.
Acho que vou transformar em camisola, sabe.
Boa idéia?

12.4.07

Só a Fal poderá me salvar

Meu trabalho implica em assistir às novelas. Pelo menos vez ou outra. Para poder ver as roupas dos personagens, porque roupa de novela vende. Nem sempre. Nem todos. Mas. Não há regras nesse mundo de meudeus, que bom seria se houvesse, feito um jogo de tabuleiro da Gr*OW.

E novela nova, vamos lá, força irmão, você vai conseguir.
Não consigo. Chato demais. No único capítulo que eu aguentei dez minutos, parece que todo mundo tava voltando do raio de uma festa e usava longo.

Fal, querida, como serviço de utilidade pública, você bem que poderia analisar o figurino do povo.
A fã, aqui, seria eternamente agradecida.

10.4.07

Hoje sou folha morta

Sem vontade nenhuma. De fazer nada. É como se o ar estivesse denso, cortável à faca. E tudo o que eu vou fazer demanda um esforço sobrehumano. Respirar, inclusive.
Essa atmosfera sólida também prejudica a minha audição. Sério. Não tenho escutado direito. É como se eu estivesse dentro de uma bolha. E fico dizendo: hã? prás pessoas e elas me olham como se eu fosse idiota e não, surda.
Mas navegar é preciso, então toco o barco.
E finjo que estou lá, quando, na verdade, não estou.

3.4.07

Obrigada, pai

Meu pai morreu na última quarta-feira pela manhã. Eu queria dizer aqui, alguma coisa linda, que conseguisse traduzir pelo menos um pouco, tudo que ele significou para mim, mas não é fácil.

Vocês sabem que eu tenho dois pais. E esse pai a que me refiro, é aquele que se casou com a minha mãe quando eu tinha onze anos. Aquele que me deu praticamente todos os livros que eu li na adolescência, que me buscou de madrugada nas festinhas, que me consolou quando eu chorei, que me deixava, no forno, um pratinho pronto, para quando eu chegasse à noite, da faculdade.

Que trouxe para esta família, equilíbrio, inteligência, bom senso, um tremendo bom humor, muito amor e principalmente uma lição de generosidade, daqueles que, de verdade, vivem para servir.

Eu, realmente, não sei quem eu seria se ele não tivesse existido. Participado das nossas vidas. Estado sempre lá, em qualquer circunstância, para todos nós.

E a falta que ele vai me fazer não tem medida. E a tristeza que eu sinto, também não.

Eu sei que ele não gostaria que sofrêssemos mas, olha, é impossível.

23.3.07

Fiz tamém


Peguei dela.

Tenho andado distraíduuu, impaciente e indecisuuuu

Eu nunca fui uma pessoa adepta do trabalho, só trabalho, muito trabalho (podendo substituir aqui por estudo, na época da juventude). Mesmo tendo vivido em plena era yuppie (ai, credo, jisuis, aquelas ombreiras eram de matar), sempre fui partidária do equilíbrio. E (é muito importante que você entenda a diferença), equilíbrio prá mim não é uma coisa assim, morna, café com leite. Né não. Meu equilíbrio está mais para: umas vezes café, e outras leite. Entendeu?

Vou exemplificar melhor: No quesito bebida, por exemplo, não significa tomar uma tacinha de vinho todos os dias às refeições mas sim, passar um tempo sem beber nada e, de vez em quando, encher a cara, enfiar o pé na jaca, fundo.

Tá, eu sei. Isso não é equilíbrio, p*rra nenhuma, mas eu sou assim e pronto. DNA Formiga com Cigarra, (já falei disso). Fazer o quê? Prá mim, funciona.
Pois então.

De uma hora para outra, parece que minha vida é só trabalho. Tenho trabalhado muito, mesmo, mas isso não é novidade, já aconteceu antes (cigarra, formiga, etecetera e tal). O que mudou foi o foco (essa história de mudar o foco parece tirada de livro de auto-ajuda do Shiniachique mas não me ocorre palavra melhor, sem café, às seizimeia da manhã). E não fui eu que mudei o foco, não, deusulivre. Mudaram lá. E só me acontecem coisas de trabalho e eu estou cansada, de saco cheio, exausta mesmo, de coisas de trabalho.

E esse post não tem conclusão apropriada, apenas a constatação de que todos os departamentos da repartição pública que vem a se chamar Daniela estão tendo desempenhos sofríveis. Patéticos, mesmo. E alguém devia assumir essa joça, passar a régua, mandar metade do povo embora, fazer reuniões motivacionais, sei lá. Dar um jeito nesse troço.
O tempo urge.

21.3.07

Um passinho à frente, faz favor

Eu sei que parece que eu tenho vivido em aeroportos mas bem, tenho vivido em aeroportos. Quem sabe alguém precisa de uma correspondente especial direto de Congonhas, reportando o último problema? Tô topando.
É quase uma da manhã. Saí de casa às cinco da manhã de ontem. Fui prá Brusque, Santa Catarina. Na ida, tudo bem. Compramos o primeiro vôo e torcemos para não chover. Deu certo.
Trabalhamos o dia todo e pegamos o último vôo de volta.
Passamos uma hora dando voltas sobre o litoral do Paraná porque Congonhas estava lotado. Depois a marrrravilhosa notícia de que iríamos pousar em Guarulhos, ou seja, mais uma hora de ônibus até em casa.
Dessa vez a desculpa foi que em Congonhas não tinha lugar para o avião "parkear" (palavras do piloto).
No fim, por sorte (ou mais precisamente, uma distribuição mais justa do azar), o piloto avisa que vamos para Congonhas.
Devem ter arrumado uns manobristas melhores e dado uma apertadinha.
E eu estou aqui, porque de tão cansada, não consigo dormir.

17.3.07

Hold the line, please - your call to the divine operator is ringing

Eu não ia voltar aqui tão cedo, não. Pelo menos não antes de resolver a minha vida. Porque "O" negócio voltou. Um pouco menor, mas voltou. E viver tem sido complicado. Um limbo. Tudo meio que suspenso até segunda ordem.
Quem sou, onde estou, para onde vou, deixaram de ser questões metafísicas nesse momento.

Mas nada como uma mega chuva na tarde de sexta para inundar a pistinha de Con*gonhas e encher o aeroporto nesse sábado de manhã, tãaaao animado. Estou indo pro Rio para uma reunião e claro, espero.
E o meu cartão de crédito, pelo menos serve prá isso, o tal do "Dainers-Crub", tem uma salinha VIP com internet grátis e banheiro. Onde pessoas podem esperar ad eternum o avião que nunca chega.
Sem previsão. Parece a minha vida.
Totalmente sem previsão.

3.3.07

High and Low ou Que p*rra de vida é essa?

"O" assunto não vai rolar mais. Não sei se choro ou pulo de alegria e alívio. Porque era realmente uma coisa totalmente fora da escala da minha vida atual. Grande mesmo. Nada que tenhamos dito ou feito, simplesmente coisas aconteceram. E não posso falar nada, sabe lá deus quem lê esse blog, e o negócio era e ainda é secretíssimo. Porque há muitos seres humanos envolvidos e eles vão estar no olho da rua daqui a dois meses.
Não posso deixar de me sentir orgulhosa só de ter sido considerada para este negócio. Aí fora, acreditam muito mais na minha capacidade do que eu mesma jamais conseguirei.

E meu dia ontem (momento diarinho, hein, Klein?) foi hilário. Só comigo mesmo.

De manhã, provável sócia de um negócio quase milionário. (Mood: Eu sou demais)

Durante o dia, Brás com o povo de Manaus. Horror, horror. Com volta de metrô passando a pé pelo Largo da Concórdia às seis da tarde. Nada melhor para colocar um ser humano no seu devido lugar.(Mood: Prá baixo de c* de cobra)

Em casa: E-mail da f*dona convidando para a aula inaugural com o Del-fim Neto. (Mood: Ó deus, jogando dados de novo? Tô meio cansada, sabe? Meus dados devem ser mais bonitinhos... ele anda me escolhendo com uma certa frequência)

E acho que vou tirar umas férias daqui, ando meio cansada.
Dos poucos que me lêem, terei saudades.
Mas continuarei dando voltas por aí.

2.3.07

Só para vocês saberem, já que sabem de tudo, mesmo.

Acabei de decidir nesse instante fazer o curso de gestão de varejo da f*dona. É um curso curto (dois meses e meio) e esse eu posso pagar. Vai me custar um peito (da grana que eu guardei para a minha plástica, lembram?) mas, fazer o quê, né? Que seja.
Ficamos sem peito, portanto.
Ou que tal um estilo Amazona? Moderno?

À beira de um ataque de nervos. Juro.

Eu tenho passado a extensão completa dos meus dias andando nesse calor com duas serezumanas, funcionárias da rede de lojas de Manaus. O projeto que pegamos.
Esta é a maravilhosa inquipe de compras, que o cara falou que tinha.
Temos que comprar (atentem para o número nesse ponto) cinco mil peças para a mudança de conceito na maior loja dele, a primeira da rede de oito que vamos mexer.
Nosso trabalho é orientar a compra, fazer a coordenação de moda, melhorar o visual merchandising (só essa frase já é um puta elogio - o VM lá, inexiste), treinar o pessoal para tocar a loja.
Gente, não é preconceito. Eu comecei a via sacra com a maior paciência deste mundo. Juro. Modelo Buda-Zen, Elba Ramalho perde.

Mas, olha, tem dó. Se eu soubesse que seria assim, tinha que ter cobrado pelo menos o dobro. O triplo. Adicional insalubridade, com certeza.

Moda, prá essas duas fulanas é uma palavra alienígena. O que elas estavam comprando até hoje eu não sei, ou melhor, eu sei, porque o cara tem dois milhões de estoque encalhado e está com dívidas até o pescoço. Funcionando é que não estava, não é óbvio, caro telespectador?
E elas se acham. E peitam, hein? E discordam. E duvidam. E não entendem uma palavra do que falamos.
E EU NÃO AGUENTO MAIS!! NÃO! NÃO! NÃO! NÃO!

Decote bateau? Balenciaga? Referências dos anos 80? Cartela de cores? Segmentação por estilo de vida? A pessoa gorda não é velha, pelamordedios? Elas olham prá mim com aquela cara de dãaa. E o fulano dono da birosca não me fica doente e some da face do planeta quando ele é mais que necessário para calar a boca das duas e estalar o chicote?
Como diz a sábia Fal, devo ter picado salsinha na tábua dos dez mandamentos, só pode ser.

A saga continua. Hoje. Vamos comprar o jeans, valha-me meu bom jesus de Praga. 400 peças. Orem por mim.

1.3.07

Shalom

Vamos esquecer "O" assunto por alguns momentos. Não aguento mais. A cabeça tá dando nó. E tenho que trabalhar, né. Dia primeiro, contas, coisa e tal. O boleto do meu cartão de crédito está lá, dentro do envelope, que eu não abri e vence amanhã. Nem quero olhar porque, sabem, adquiri coisas no mês passado. Para ser justa devo dizer que a maioria foram roupas novas para o Mateus que, crescendo e apaixonado, veementemente demandou. Então, aproveitemos as liquidações, irmãos e oremos!

Mas tive um ataque, certo dia do mês passado, entrei na Amazon e comprei nem lembro mais quantos (não chegaram ainda) livros de um mesmo fulano. E o pior é que nem é literatura, são livros de um rabino aí, muito do sábio (não, num é cabala, não, gentem, cruzes, pelo que me tomam?), que falam sobre assuntos cotidianos sob a ótica judaica. Eu sei, surtei. Estava com "pobremas" seríssimos nesse dia, só pode ser. Não sei se já faturaram, mas não quero nem ver.

E eu nem gosto desse tipo de livro. Só prá esclarecer.